Que é
Abril 30, 2013
Que é a vida, senão um desfile de memórias, de ideias sem sentido duradouro? E não são essas recordações, essas ideias, a realidade de sentido e importância permanentes?
Seja gentil
Março 29, 2013
Foi quando a manhã acabou. Dezenas de horas, algumas semanas… Não haviam mais vestígios do dia anterior no quarto. Foi o começo do fim. Suas pernas saíram da cadeira, e desapareceram dentro das meias. Foi quando começou a desmanchar, a se partir…
“Seja gentil, minha querida, dê-me um soco na face. Só um pouco gentil, eu deixo você me quebrar alguns dentes. Seja ao menos gentil, e pare de não responder.”
Ela seguiu andando, com seus sapatos altos, aparentando firmeza. Seus olhos tremiam, e eu apenas olhando, esperando. Até que ela se virou, abotoando o vestido, e forçou um sorriso.
A Curiosidade é um fardo pesado, difícil demais de manter, difícil demais de segurar.
A Curiosidade é um fardo pesado demais para manter, difícil de segurar.
Ainda mais neste frio.
“Seja gentil, e me faz um favor: seja só um pouco gentil. Esqueça o esmalte de suas unhas por um instante, desmanche meu nariz. Peça ajuda se precisar.”
“É tão difícil rasgar os laços que amarram? Talvez um “soco na face” seja cordial demais.”
Gerúndio
Março 21, 2013
Somente neste momento percebo que eu queria? Não, senão já teria saído disto muito tempo antes, ou nem ao menos teria entrado nesta. Quantas vezes isto já me acontecera e eu havia contornado por outros caminhos? Sim, eu segui.
Sobre a fonte
Março 12, 2013
E em momentos como este tinha a impressão de estar pisando em terreno inseguro, numa camada de gêlo que, embora resistisse, já acusava trincas e fendas embaixo de seus pés.
Os olhos dêle ainda se animavam, quando avistavam; porém, não era respondido com o mesmo calor, com a mesma naturalidade.
Envolvia-o um olhar velado, somente um olhar de simpatia afetuosa; era, no entanto, como água represada que perdeu o seu borbulhar de nascente.
Do passado
Fevereiro 3, 2013
E por eventual ironia, avistei essa paisagem. Apesar de longe não a esqueço, e tenho saudades d’ela. Ah! aquelas árvores! quantos amores… quantos abraços… quantas mãos se deram por aqueles caminhos copados… Um dia, na sombra das gameleiras, caminhávamos sem pressa para o leste, por um estreito caminho atapetado de folhas secas, rodeados pelas mais diversas espécies de plantas e animais; deslizávamos através de muitas árvores, lindas, nos mais diversos tons de verde… Ouvíamos os cantos de pássaros sobre as folhagens, que aos nossos passos – cujo som não era para eles aprazível – calavam-se e escondiam-se na ramagem… Ao meio dia na luz fúlgida do sol, descíamos para o coreto onde a sombra era mais densa e o vento mais fresco. O céu se dividia entre a claridade afogueada e o imenso azul, que se recobria com nuvens por tôdos os lados… Deliciávamo-nos o dia inteiro na sombra, as águas da velha fonte do Tambiá a nos refrescar… Quanto tempo se passou desde então…
Ali vivemos um tempo que não tinha pressa de ser. Não tinha propósito. Tudo era sinceridade, apenas, inexorável. Foram dias, horas, tôdos os segundos cheios de nós… Tôda a vida era, apenas, viver. Não sabíamos, que nossa carne era tôda carne e que não éramos realidade. Não mais que esboços, interminados; não havia ninguém, havia cada um. É porque éramos apenas carne, e carne, somente, não é alguém.
E sem sangue morreu, a carne findou. Assim morreu a nossa vida. Atentos para ela não percebemos quem fomos. Que um era a real ilusão do outro, e que cada um, em seu interior, o mero reflexo do seu próprio ser…
Novamente
Dezembro 9, 2012
Posso sentir uma última vez
Essa memória que está se apagando em minha mente…?
Deixe-me, sentir mais uma vez
Já não sei dizer se estes ou aqueles momentos foram os mais fortes.
Oh, lembro-me de quando era livre
Antes d’a vida me separar do viver.
Lembro-me dos passos no escuro, sorrindo…
Se pudesse apenas sentir um pouco mais
Aqueles dias em que viver não implicava em ser
Como gostaria apenas viver mais uma vez e não precisar
Por que para ser é preciso não saber?
Oh, esta dor, maldito som, da vida
Se soubesse como é ser assim
Conheceria a mim mesmo
Eu me explodiria em vida.
Oh, me lembro de quando éramos livres
Gloriosos dias….
Em que não se acordava para a vida mas
para viver…
Oh, as dores tinham sons, sensações
Arranhões na pele…
Se pudesse sentir apenas um pouco mais
Aqueles dias em que lembrar era com o coração
Amávamos tudo que nos cercava
E não havia quem ou aonde.
Agora, não vemos sequer seus rostos
A vida nos tirou o viver
Feras selvagens… domadas.
Posso sentir uma última vez?
Para encontrar essa boa e velha memória que está se apagando em minha mente…?
Island
Novembro 24, 2012
Início e fim numa noite
Outubro 27, 2012
O início da noite foi longo
meus palpites eram verdade
você me viu eu te vi.
E aquilo que dissestes
era o tempo certo
o prazer foi meu.
A hora e o lugar
o olhar no seu rosto,
um brilho sincero.
Se estavas pronto ou não,
o estado de nossos corações
não houve tempo para esperar.
Quando começamos
ambos partidos
não acreditando
que teria início e fim numa noite.
Fomos pegos pela luz
de volta a realidade
até que minutos viraram horas.
Os minutos passaram
a cabine está lá fora
mas há de esperar.
Quando nos separamos
passando e
acreditando
que teria início e fim numa noite.
Quando começamos
ambos partidos
não acreditando
que teria início e fim numa noite.
Start of a new
Setembro 15, 2012
“[...] só nos resta sermos sensatos.” Ouviu tudo sem dizer nada, uma lágrima, apenas, apontava em seu olho direito. Aquilo fazia eco no mais profundo inconsciente de sua mente, e agora, emergindo, o sentido era literal, na pele, nos olhos, nos ouvidos… Saiu e fechou a porta. O dia ensolarado, as folhas brilhando no topo das árvores, pessoas alegres sorrindo, crianças correndo, vivendo. Seu interior ruía. Eram dois mundos opostos num mesmo plano. O clima era de encerramento, – um angustiante e excitante encerramento – uma grande cena, fantástica, terminara. Os dedos da vida tocando a página seguinte, indicando apenas o início do próximo capítulo. Um frenesi o invadiu.
De que se trata? O que sobrevirá? (…) A cena acabara. A trama teria um novo rumo, novos papéis com os mesmos personagens. Viu a face de Fortuna de olhos vendados, arrepiada, por ter apontado desígnios tão semelhantes para humanos tão afins, ao ouvir seus nomes, um nome! A venda em seus olhos não permitia ver suas faces, mas não a privava do sentido da audição… Repassou os últimos momentos da cena as palavras ouvidas, em silêncio, antes do fim. “Estarei sempre ao seu lado”, disse-lhe. “Sempre que se mostrar são, sábio e gentil, estarei com você.”
A porta fechada às suas costas se fora. Abriu um livro e seus olhos caíram sobre estranhas palavras escritas, muitos séculos antes, pelo sábio Confúcio: “Por falta de uma compreensão profunda e uma mente larga, muitos grandes propósitos não foram atingidos”. Estas palavras pareciam as únicas na página, fitou-as e ouviu-as distintamente como se alguém as pronunciasse. Estas palavras vinham do passado atingindo inexoravelmente sua mente e coração, e ele as recebeu com humildade. Sabia que sua mente não havia sido larga o suficiente e, não compreendendo a cena em ação, seu propósito não fora atingido. Sua visão escureceu, fechou o livro devagar e entregou seu espírito. A partir dali teria uma vida feliz, não mais deixaria aquela mesma mente o guiar, estaria voltado com carinho para tudo que o trouxesse qualidade de vida e não se submeteria cegamente aos caprichos da sorte e às paixões. Dali em diante não mais moldaria sua vida, mas seria moldado por ela.
A vida passara a página. Seu personagem introduzia o capítulo seguinte dizendo para si, sob a luz do sol:
“Eu sei o que estou fazendo. Eu sei muito bem o que estou fazendo, agora nada me é estranho. Tudo isso já me foi dito muito tempo atrás, mas só agora eu escutei. Tinham-me dito, mas só agora acreditei.”
wake up alone
Agosto 14, 2012
Wake Up Alone (Original Version)
Album: Lioness: Hidden Treasures
“Não posso escrever
Sinto com a música
Que ela fale por mim…”



