Não ser e estar

Vejo-me vivendo sem saber quem sou, por vezes me perguntando e achando não sou. E este ser (o que não sou) me dói.

Contudo, como por hora não sou capaz de compreender, tenho que fazer o que faço plenamente que é:  não ser.

Parece que mais uma vez que, simplesmente,  descubro mais um pedaço de minha identidade: que não sou e isto por sí só me diz muito…

Não sendo, hei de me empenhar em ser ao avesso. Minha vida transborda de tanto não ser e estar.

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Desordem

Fui um desses covardes um dia. Já estive cheio de covardia. Desordenei-me e joguei fora o que precisava e dei uma boa demonstração de grande loucura coragem. Como quem corre de algo que não deseja ou quem procura um lugar para se esconder e se sentir protegido.

Sem bater, entrei por uma porta sem saber para onde dava. (A forma de saída foi pela porta de entrada).

Oh sim, eu entrei. Entrei sem saber para onde e me assombrei. Me assombrei porque sempre pensava bastante antes de pedir para entrar por uma porta e, dessa vez, sequer pedi.

Depois do surto me organizei, e me achei – agora atrás da porta – perdido novamente.

Precisava eu me desordenar para me ordenar novamente? É fato que para se ordenar é preciso não estar ordenado, mas minha desordenação foi uma imensa loucura e somente pela grande coragem me fez aceitar. Depois de me reordenar, transformei-me em um novo covarde. Um covarde mais maduro e experiente. Como explico isso? Se assemelha a alguém que caminhou a vida toda por um lugar e, agora, se encontra perdido andando por lá. E é tão ruim estar perdido que tenho certeza que não muito tarde encontrarei uma forma de me achar. Mesmo que me engane e me encontre em algum lugar perdido. Ou mesmo que continue perdido e minta para eu mesmo só para manter a calma e não me desesperar.

Parece que finalmente começo a tomar consciência de minha identidade como pessoa. E é nessa desordem que eu me encontro – perdido.