Nota

Novamente

Posso sentir uma última vez
Essa memória que está se apagando em minha mente…?
Deixe-me, sentir mais uma vez
Já não sei dizer se estes ou aqueles momentos foram os mais fortes.

Oh, lembro-me de quando era livre
Antes d’a vida me separar do viver.
Lembro-me dos passos no escuro, sorrindo…

Se pudesse apenas sentir um pouco mais
Aqueles dias em que viver não implicava em ser
Como gostaria apenas viver mais uma vez e não precisar
Por que para ser é preciso não saber?

Oh, esta dor, maldito som, da vida
Se soubesse como é ser assim
Conheceria a mim mesmo
Eu me explodiria em vida.

Oh, me lembro de quando éramos livres
Gloriosos dias….
Em que não se acordava para a vida mas
para viver…
Oh, as dores tinham sons, sensações
Arranhões na pele…

Se pudesse sentir apenas um pouco mais
Aqueles dias em que lembrar era com o coração
Amávamos tudo que nos cercava
E não havia quem ou aonde.

Agora, não vemos sequer seus rostos
A vida nos tirou o viver
Feras selvagens… domadas.

Posso sentir uma última vez?
Para encontrar essa boa e velha memória que está se apagando em minha mente…?

bfnk

p. 785

Numa manhã fria ao acordar ele soltou um grande suspiro. Nesse dia não acordou como em outras manhãs de sua vida. Repetidas vezes durante a noite lutara com sua mente que queria voltar à consciência. Não sabia descrever essa sensação que nunca sentiu. Essa sensação profunda, invisível e totalmente indescritível, a qual não tinha como ignorar era fatal. Mas quem se importava?

“Não sei o que sentir” – pensou ainda com a cabeça sob o travesseiro. Estava neutro, mas seus músculos embaixo do acolchoado estavam cheios de força, seu corpo quente e o sangue corria rápido em suas veias. Apenas infeliz. Não que estivesse mal, triste, sem ânimo, apenas infeliz com o que tinha. Seus pensamentos ativos, sua mente clara e organizada.

Lembrou-se de sua infância, suas angústias e alegrias; recordou-se das risadas de sua mãe e da noite anterior enquanto ela chorava em seus braços. Uma necessidade o invadiu – não precisava.  Veio à mente um dia frio como aquele, em que lhe seguraram a mão, nem áspera, nem macia, seus dedos finos e a palma forte.
– Sua mão. Aperto-a, ela me devolve o aperto mas não sinto seu calor, nem frio – ouviu estas palavras e revelou seu estado de espírito. Baixou a cabeça, respirou fundo e apertou mais os dedos.
– Não me sinto hoje, nem mal, nem bem…

Quis ele repetir suas esperanças e temores, mas não seriam novidades; não eraa necessário. Sabia que não deveria estar bem, contudo não sabia mais se estava certo do que sentia e, também, do que não sentia. Afinal, como se pode sentir-se bem quando não tem o que deseja? Pior que isso, saber que motivar-se e buscar não lhe dava margem para alcançar, seus objetivos eram demasiado distantes de sua realidade. Suas armas não bastavam.

Lembranças de um futuro melhor

Era um mundo onde existiam criaturas terríveis, as quais eram das mais terríveis e aterrorizantes que vagavam sobre a terra. Elas se alimentavam de cada bom sentimento, de cada lembrança feliz. Até deixar a pessoa sem absolutamente nada, só com as piores experiências.

Para destruí-las seria preciso o uso de algo muito poderoso, e antigo. Algo que é uma espécie de energia positiva, e que quando se consegue conjurar, teria uma espécie de escudo ao seu redor que alimentaria a criatura, ao invés de você. E o que precisava fazer para se proteger era, fechar os olhos e pensar em uma lembrança, não uma qualquer, teria que ser algo realmente forte. Precisa deixar a energia positiva da boa lembrança tomar conta de você.

~

Sei que você também ou conhece alguém que deve ter sido beijada por uma dessas criaturas. Alguém especial cujos bons sentimentos foram arrancados sem piedade alguma. Alguém que, agora, não consegue imaginar um futuro bom, nem tentar ser feliz no presente. Sem ânimo, incrédula… Maldita criatura essa que se alimentou à suas custas. Maldita seja, aquela que levou a alma de alguém tão especial em seu estômago.

Mas, já aconteceu, o mal está feito. Resta agora fazer criar forças pra enfrentar de frente essa criatura, e dar uma tremenda indigestão nela. Basta mostrar que existe um futuro e ótimos momentos à serem vividos agora. Basta apenas fazer entender que não se pode deixar ser engolida por esse ser do mal. Tentar dar um pouco do que lhe foi sugada. Pode ser complicado fazer isso, mas, se esse alguém realmente especial vale a pena. Vale a pena tentar de todas as formas, e usar todas as forças para fazê-la voltar.

Basta apenas fechar os olhos e deixar uma lembrança boa tomar conta quando se aproximar. Não precisa nem ser real a lembrança. Mas tem que ser a mais forte que tem, e deixá-la encher seu corpo, não conseguindo, assim, sentir desesperança nem medo.